Conhecer o curso
Estágio e Mercado

Erros de inglês que derrubam candidato a estágio (e como evitar cada um)

Erros de inglês que derrubam candidato a estágio (e como evitar cada um)

Tem um tipo de erro de inglês que ninguém te aponta. O recrutador lê seu currículo, sente algo estranho, não sabe explicar direito o quê, e passa para o próximo. Você nunca fica sabendo que a palavra errada numa linha te tirou da lista. É o pior tipo de erro: o que custa a vaga em silêncio.

Depois de ler muito currículo e acompanhar muita seleção, percebi que os tropeços se repetem. Quase sempre são os mesmos punhados de erros, cometidos por gente boa que aprendeu inglês jurídico no tapa, juntando pedaços de série, tradutor automático e chute. Este texto é a lista deles, com o conserto de cada um. A ideia é te poupar de descobrir na marra o que dá para saber organizado, de uma vez.

erro 1: cair nos falsos amigos

Falso amigo é a palavra em inglês que parece português e significa outra coisa. No dia a dia rende risada. Numa entrevista ou num e-mail para cliente, inverte o sentido da frase e queima você na hora.

Os que mais aparecem em contexto de estágio:

  • to sue é processar, não "suar". The client wants to sue the supplier quer dizer que o cliente quer processar, não que ele está suando frio.
  • to attend é comparecer, participar, não "atender". I attended the meeting é compareci à reunião. Atender um cliente é to assist ou to help.
  • to pretend é fingir, não "pretender". I pretend to work here diz que você finge trabalhar aqui, o que não é a impressão que você quer passar. Pretender é to intend ou to plan.
  • actually é na verdade, não "atualmente". Atualmente é currently.
  • eventually é por fim, no final, não "eventualmente" no sentido de vez em quando.

to sue → processar, mover ação contra (e não "suar") The company was sued for breach of contract. — A empresa foi processada por quebra de contrato.

Esses são só os campeões de estágio. A lista dos que mais derrubam estudante de Direito, com os vinte piores, está em falsos cognatos do inglês jurídico. Vale ler antes de qualquer entrevista.

erro 2: informalidade demais

Inglês de série e inglês de contrato são registros diferentes, e misturá-los te faz parecer menos profissional do que você é. O candidato que escreve um e-mail para a banca começando com Hey! e cheio de gonna, wanna, kinda não soa descontraído. Soa como quem nunca escreveu num ambiente de trabalho.

Alguns ajustes que mudam a impressão na hora:

  • comece e-mail formal com Dear Ms. Silva ou Dear Sir or Madam, não Hi ou Hey.
  • escreva as formas completas: do not em vez de don't, I would like em vez de I'd like, going to em vez de gonna.
  • troque gírias por termos neutros: em vez de stuff e things, use matters, documents, issues.
  • feche com Kind regards ou Best regards, não com See ya ou Cheers.

A ressalva honesta: formal não quer dizer empolado. Ninguém pede que você escreva como um contrato do século dezoito, cheio de hereinafter e whereas fora de lugar. O ponto é o registro profissional neutro, aquele e-mail claro e educado que um advogado manda para outro. Nem gíria, nem palavra difícil só para impressionar.

erro 3: currículo traduzido ao pé da letra

Este é o mais comum e o mais caro. O candidato pega o currículo em português e joga no tradutor. Sai um texto que está gramaticalmente correto e, ainda assim, grita "traduzido". Um currículo jurídico em inglês tem convenções próprias; ele não é o seu currículo em português com outras palavras.

Onde o tradutor automático te trai:

  • cargos: "estagiário" vira intern ou legal intern, não trainee responsible for. "Advogado" é lawyer ou attorney, não advocate (que em inglês tem outro uso).
  • instituições: "Faculdade de Direito" é Law School. "Ordem dos Advogados" é Bar Association.
  • descrição de atividades: em inglês, você descreve o que fez com verbos de ação no passado. Drafted contracts, reviewed agreements, researched case law. Um responsible for the analysis of documents soa engessado; analyzed documents soa como quem trabalhou.
  • falsos amigos escondidos: pretend, actual, eventual aparecem sem querer no currículo traduzido e mudam o sentido.

to review → revisar, analisar (um documento, um contrato) I reviewed supplier agreements under a senior lawyer's supervision. — Revisei contratos de fornecedores sob a supervisão de um advogado sênior.

Se a vaga envolve descrever experiência com contratos, vale conhecer o vocabulário que aparece nesses documentos antes de escrever seu currículo, porque é dele que saem os verbos certos. Um bom ponto de partida é contrato de trabalho em inglês, que traz os termos que você vai querer citar.

erro 4: misturar sistemas jurídicos

Este é o erro mais fino, o que separa quem só traduziu palavras de quem entende que existem dois mundos jurídicos. Muito termo jurídico em inglês não tem tradução única, porque descreve uma figura que existe num sistema e não no outro. Usar a palavra errada mostra que você não sabe disso, e num processo seletivo isso pesa.

O caso mais famoso é como se diz "advogado". No inglês britânico, solicitor é o advogado que atende cliente e prepara documentos, enquanto barrister é o que atua em tribunal superior. No inglês americano, attorney (ou attorney-at-law) cobre os dois papéis e é o termo mais comum em contexto internacional. Lawyer é o guarda-chuva genérico e funciona quase sempre. Já advocate, que parece o óbvio para o brasileiro, tem uso restrito e específico em inglês. Escrever advocate onde cabia attorney é a marca do currículo traduzido no automático.

Outros pares que confundem:

  • litigation é a atuação em processo judicial; arbitration é o procedimento arbitral, fora do Judiciário. Não são sinônimos.
  • statute é lei escrita, aprovada pelo legislativo; case law é o direito construído pelas decisões dos tribunais, o peso do precedente no common law.
  • plaintiff é o autor da ação (parte que processa); defendant é o réu. Trocar os dois muda quem é quem.

Não precisa dominar os dois sistemas para um estágio. Precisa saber que eles existem e não misturar as figuras. Se essa diferença entre common law e civil law ainda é nebulosa, e ela é a raiz de quase todo termo sem tradução exata, comece entendendo como dizer advogado em inglês sem escorregar.

attorney → advogado (termo usual no inglês americano e em contexto internacional) The attorney advised the client to settle the dispute. — O advogado aconselhou o cliente a fazer um acordo.

erro 5: confiar cegamente no tradutor automático

Ele resolve o dia a dia e te trai no jurídico, justamente onde o erro custa mais. O tradutor não sabe que sentence pode ser frase ou sentença penal, que policy é política ou apólice mas nunca "polícia", que notice é notificação e não "notícia". Ele escolhe uma opção e segue, e você assina embaixo sem perceber.

Não estou dizendo para abandonar a ferramenta. Estou dizendo para não confiar nela em texto que vale a sua vaga. Use para ter uma ideia, nunca como versão final de currículo, carta ou e-mail. O problema é que, para revisar o que o tradutor cuspiu, você precisa saber inglês jurídico, e é aí que fecha o círculo: não tem como pular a etapa de aprender.

Faça este teste no seu próprio currículo agora. Leia cada linha da versão em inglês e pergunte: essa palavra descreve uma figura que existe em inglês ou é uma tradução literal do português? Marque advocate, responsible for, actual, pretend e qualquer cargo traduzido ao pé da letra. Cada marca é um ponto que o recrutador sente, mesmo sem saber nomear.

por que vale aprender isso organizado

Reparou no fio que costura os cinco erros? Todos vêm da mesma origem: inglês jurídico aprendido em pedaços soltos, sem ninguém para dizer que to sue não é suar, que advocate não é advogado, que currículo em inglês tem regra própria. Cada erro desses é uma lacuna que ficou aberta porque o aprendizado foi por tentativa e chute.

Aí está o custo escondido de aprender no tapa: você gasta meses cometendo os mesmos deslizes sem saber, e só descobre quando um deles já te tirou de uma seleção. Aprender organizado não é sobre ser mais inteligente. É sobre não perder tempo redescobrindo, um por um e do jeito difícil, erros que alguém já mapeou. Quem estuda com um caminho definido fecha essas cinco lacunas em semanas, não em anos de tropeços.

E, para ser justa, a faculdade não te dá isso. O curso de Direito não reserva espaço para currículo em inglês nem para a diferença entre solicitor e attorney. Escrevi sobre esse vão em por que a faculdade não te ensina inglês jurídico. A conta sobra para você, e a pergunta vira só como fechá-la: sozinho, aos poucos, ou com método.

o próximo passo

Se você se reconheceu em pelo menos um desses erros, boa notícia: todos têm conserto, e você acabou de ver qual é. O trabalho agora é fixar, e fixar pede repetição em contexto real, não uma lista que some da memória numa semana.

Se você quer esse caminho organizado, em vez de continuar juntando pedaços, é para isso que a plataforma da Criar Direito foi feita. Dá para conhecer o curso e ver se ele encaixa no seu momento.

O candidato que passa não é o que nunca errou inglês. É o que já corrigiu esses erros antes da entrevista, enquanto os outros ainda os cometiam sem perceber.

Inglês jurídico deixou de ser diferencial. Virou linha de corte.

A plataforma da Criar Direito leva você do zero ao vocabulário que escritórios e editais de intercâmbio exigem — com a Profa. Andressa.

Conhecer o curso