Por que a faculdade de Direito não te ensina inglês jurídico
Se você espera que a faculdade de Direito resolva o seu inglês jurídico, é melhor eu ser direta: na maioria dos cursos, isso não vai acontecer. E não é porque a sua faculdade é ruim. A lacuna tem motivos claros, e entender eles ajuda a parar de esperar por uma coisa que não vem.
O que a grade realmente oferece
Na melhor das hipóteses, a grade traz uma ou duas disciplinas de inglês instrumental, focadas em leitura genérica. Muitas faculdades nem isso. O grosso da carga horária vai, com razão, para o Direito nacional: Civil, Penal, Constitucional, Processo. É o que a OAB cobra e é o que forma o jurista.
Inglês jurídico entra como assunto órfão. Não é matéria de idioma nem de Direito puro, então acaba sem dono no currículo.
Por que os professores não cobrem isso
Seu professor de Direito Empresarial domina o conteúdo dele, mas raramente foi treinado para ensinar a redigir uma cláusula em inglês. Seu professor de inglês instrumental, quando existe, conhece a língua, mas não necessariamente a lógica de um contrato ou de uma decisão estrangeira. Inglês jurídico vive bem no meio dos dois, e esse meio quase não tem professor formado para ocupar.
Eu passei por isso do outro lado. Só fui juntar as duas coisas, o Direito e o inglês técnico, quando estudei fora e precisei operar nos dois ao mesmo tempo. Não foi a graduação que me deu isso.
A conta que chega depois
O resultado é previsível. O estudante termina cinco anos de faculdade, sai com uma boa formação jurídica e descobre, na primeira seleção séria, que não consegue ler um contrato em inglês nem sustentar uma ideia no idioma. Um exemplo do tipo de coisa que ninguém apresentou na sala de aula:
whereas → considerando que (abre os "considerandos" de um contrato) Whereas the parties wish to establish a partnership... — Considerando que as partes desejam estabelecer uma parceria...
Não é um termo difícil. Mas se ninguém te mostra, você chega no contrato e ele parece código. Reuni os principais em Whereas, hereinafter, notwithstanding, justamente porque a faculdade não faz isso.
O que dá para fazer sem esperar a faculdade
A boa notícia é que essa lacuna é sua para preencher, e no seu ritmo. Você não precisa de uma reforma curricular. Precisa de material certo e de constância.
Comece cedo, ainda na graduação, quando o tempo é mais generoso do que será no estágio. Leia contratos curtos de verdade em vez de listas de palavras. Escreva um e-mail jurídico simples em inglês na primeira semana, mesmo errando. E, se quiser encurtar o caminho, um curso de inglês jurídico já organiza tudo isso na ordem certa, com a correção que a autodidaxia não oferece.
A faculdade te dá a base jurídica. O inglês que transforma essa base em oportunidade lá fora, hoje, ainda cabe a você buscar. Se quiser ver como a gente montou esse caminho, dá para conhecer o curso.