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Legal English do Zero

Direito em inglês: law ou right? A diferença que quase todo mundo erra

Direito em inglês: law ou right? A diferença que quase todo mundo erra

Numa conversa em inglês, alguém te pergunta o que você estuda. Você responde, orgulhoso: "I study right". A pessoa faz uma cara educada de quem não entendeu, e você sente que algo saiu torto sem saber o quê. Saiu. Em inglês, o nome do seu curso não é right. É law.

Esse tropeço é tão comum que virou quase um rito de passagem do estudante brasileiro. A culpa não é sua. Em português, a palavra "direito" faz um trabalho duplo que o inglês reparte em duas palavras diferentes. Ela nomeia a área do conhecimento e também nomeia aquilo que você tem, o seu direito a algo. O inglês separa as duas ideias, e quem não sabe disso escorrega logo na primeira frase. Vamos desfazer o nó de uma vez.

law: o Direito como área e como norma

Quando você fala do Direito enquanto campo do saber, da profissão, do curso, a palavra é law. É o Direito com D maiúsculo, a disciplina inteira. É também a lei no sentido de norma, a regra escrita que vale para todos.

law → o Direito (a área, a profissão) e também a lei (a norma) She studies law at university. — Ela estuda Direito na faculdade.

Repare que law cobre dois sentidos que em português já vêm separados por maiúscula e minúscula: o "Direito" como campo e a "lei" como norma. Criminal law é Direito Penal. A new law was passed quer dizer que uma nova lei foi aprovada. O contexto separa os dois sem dificuldade, mas convém saber que a mesma palavra faz os dois papéis.

Daí saem quase todos os nomes de áreas que você vai precisar. Civil law (Direito Civil), criminal law (Direito Penal), labor law ou employment law (Direito do Trabalho), tax law (Direito Tributário), constitutional law (Direito Constitucional), international law (Direito Internacional). O padrão é fixo: área mais law. Depois que você pega o molde, monta o nome de quase qualquer disciplina.

Um aviso, porque civil law tem uma pegadinha. Além de "Direito Civil", a expressão também nomeia todo o sistema jurídico de tradição romano-germânica, o sistema do Brasil, em oposição ao common law. São dois sentidos que convivem, e só o contexto diz qual está em jogo. Falei dessa diferença de sistemas em common law e civil law, e vale ter isso no radar para não confundir a matéria com o sistema.

right: o direito que você tem

Agora o outro sentido. Quando "direito" quer dizer aquilo que uma pessoa pode exigir, o direito subjetivo, a palavra é right. É o direito à saúde, o direito de defesa, os direitos humanos. Tudo que você possui como titular, e não a área que estuda.

right → direito subjetivo (aquilo que alguém pode exigir ou exercer) Every citizen has the right to a fair trial. — Todo cidadão tem direito a um julgamento justo.

É por isso que human rights são direitos humanos, no plural, porque são vários direitos que a pessoa titulariza. The right to vote é o direito de votar. Property rights são os direitos de propriedade. Quando o "direito" cabe num "eu tenho direito a", a palavra é right, nunca law.

Segura essa régua, que resolve noventa por cento dos casos: se dá para trocar por "a área" ou "a profissão", use law. Se dá para trocar por "aquilo que eu posso exigir", use right. "Estudo Direito" vira I study law. "Tenho direito a isso" vira I have a right to this. Duas ideias, duas palavras.

os falsos amigos que vêm de carona

O par law/right é só a porta de entrada. Perto dele moram outros falsos amigos que derrubam o estudante justamente porque parecem óbvios. Vale conhecer os principais antes de esbarrar neles num texto.

Sentence não é sentença no sentido de decisão judicial inteira. Em Direito Penal, sentence é a pena aplicada, a condenação. "The judge handed down a ten-year sentence" quer dizer que o juiz aplicou uma pena de dez anos. A decisão em si é judgment ou ruling. Traduzir sentence como "sentença" e achar que é o mesmo documento é um erro que muda o sentido da frase.

Prejudice não é prejuízo financeiro. É preconceito, viés, ou dano a um direito processual. Prejuízo no sentido de perda de dinheiro é loss ou damage. E existe uma expressão que confunde de vez: without prejudice não quer dizer "sem prejuízo" no sentido comum. É uma fórmula que significa "sem que isso implique renúncia a direitos", algo que você vê em negociação e em carta jurídica.

Actual não é atual. É "real", "de fato". Actual damages são os danos efetivos, os que de fato ocorreram. Atual, no sentido de presente, é current. E eventually não é eventualmente. Quer dizer "no fim das contas", "por fim". Eventualmente, no sentido de "de vez em quando" ou "por acaso", é occasionally ou possibly.

sentence → pena, condenação (não a decisão inteira, que é judgment) He is serving a five-year sentence. — Ele está cumprindo pena de cinco anos.

Nenhum desses vem sozinho. Eles andam em bando no texto jurídico, e é fácil empilhar dois ou três num parágrafo só sem perceber. Se você quer ver a coleção completa desses tropeços, reuni os piores em falsos cognatos no inglês jurídico. Aqui, o que importa é a lição: no Direito, a palavra que mais se parece com o português costuma ser a mais traiçoeira.

Perto de law mora uma família de palavras que vale ter na ponta da língua, porque elas aparecem juntas e o estudante costuma confundir. Legal é o adjetivo, quer dizer "jurídico" ou "legal" no sentido de lícito. Legal department é o departamento jurídico, legal advice é orientação jurídica, legal system é o sistema jurídico. Note que legal também significa "conforme a lei", o oposto de illegal. Um mesmo adjetivo cobre "jurídico" e "lícito", e o contexto separa.

Legislation é a legislação, o conjunto de leis. Statute é a lei escrita individual, aprovada pelo legislador. Bill é o projeto de lei, ainda em tramitação, antes de virar law ou act. E act é o nome que muitas leis específicas recebem em países de língua inglesa, como no Civil Rights Act. Repare que nenhuma dessas é law pura, embora todas girem em torno dela.

legal → jurídico; e também legal no sentido de lícito, conforme a lei She works in the legal department of a bank. — Ela trabalha no departamento jurídico de um banco.

Guardar essa família evita que você use law para tudo. Quando quiser dizer "jurídico", o certo é legal, não law. "Carreira jurídica" é legal career, não law career. É um deslize pequeno, mas frequente, e corrigi-lo deixa seu inglês mais preciso de imediato.

falando do seu curso e da sua profissão

Muita gente sabe ler law num texto e mesmo assim trava na hora de falar de si. É onde a teoria vira prova de fogo. Então vamos montar as frases que você vai usar de verdade.

Para dizer que estuda Direito: I'm a law student (sou estudante de Direito) ou I study law. A faculdade de Direito é law school. O curso é the law degree ou, mais informal, my law course. Se você quer dizer em que semestre está, cuidado, porque a estrutura de séries muda de país, e o mais seguro é dizer I'm in my third year of law school (estou no terceiro ano).

Para a profissão, você já viu no vocabulário de advogado em inglês que a palavra muda conforme o país. Lawyer é o termo geral e mais seguro. "Quero ser advogado" vira I want to be a lawyer. Estagiário costuma ser legal intern ou trainee, conforme o contexto. Estágio é internship ou legal internship.

law student → estudante de Direito As a law student, I'm interested in international arbitration. — Como estudante de Direito, me interesso por arbitragem internacional.

Uma ressalva sincera, porque não quero te vender facilidade que não existe. Essas frases prontas resolvem a apresentação, mas não resolvem a conversa que vem depois. Alguém pergunta que área te interessa, por que escolheu Direito, o que achou de tal decisão recente, e aí não tem frase decorada que segure. Frase de apresentação é o degrau mais baixo. Útil, necessário, mas só o começo. Se você só decorar essas, vai passar da primeira pergunta e emperrar na segunda. O que sustenta a conversa é vocabulário de verdade, construído com tempo, não uma coleção de frases-modelo.

por que essas palavras dão (ou tiram) sua confiança

Aqui está a parte que sinto na pele quando dou aula. O que trava o aluno numa entrevista em inglês, ou numa reunião com um cliente estrangeiro, raramente é a gramática. É a insegurança de não saber se a palavra que ele vai usar é a certa. Essa dúvida trava a boca. A pessoa pensa "será que digo law ou right?", hesita, e a hesitação aparece na voz.

Quando o vocabulário básico está firme, essa fricção some. Você diz I'm a law student interested in criminal law sem parar para pensar, e a frase sai limpa. Sobra atenção para o que de fato importa na entrevista: o conteúdo, o raciocínio, a pergunta difícil que vem depois. Quem gasta energia mental caçando a palavra certa não tem essa energia para pensar na resposta.

Confiança em inglês jurídico não vem de saber tudo. Vem de ter o básico tão automático que ele não ocupa espaço. Saber sem titubear que Direito é law e que direito subjetivo é right parece pouco, mas é o tipo de base que te deixa olhar o entrevistador nos olhos em vez de olhar para dentro procurando a palavra. Numa reunião, é a diferença entre acompanhar a conversa e ficar dois passos atrás traduzindo mentalmente.

Teste honesto: sem escrever, diga em voz alta três frases sobre você em inglês. Que Direito você estuda, que área te interessa e o que quer fazer depois de formado. Prestou atenção em qual palavra usou para "direito" em cada uma? Se travou ou trocou law por right em algum ponto, é exatamente esse automatismo que falta treinar.

o próximo passo

O par law/right parece simples, e é. Mas ele é a fundação sobre a qual todo o resto se apoia. Errar aqui contamina tudo que vem depois, porque se você confunde a palavra mais básica, o texto inteiro fica instável. Acertar aqui, ao contrário, libera você para construir o vocabulário mais fino sem medo.

Se você está começando do zero e quer firmar essa base antes de encarar texto mais denso, vale um percurso já organizado, que junta o vocabulário básico, os falsos amigos e o texto profissional na ordem que faz sentido. É para isso que a plataforma da Criar Direito existe. Dá para conhecer o curso e ver se combina com o seu momento.

Direito em inglês não é uma palavra, são duas, e saber qual usar em cada frase é o primeiro sinal de que você entende o terreno. A partir daí, cada termo novo encontra onde se encaixar. E a confiança que você sente numa conversa em inglês começa aqui, na palavra mais básica dita sem hesitar.

Inglês jurídico deixou de ser diferencial. Virou linha de corte.

A plataforma da Criar Direito leva você do zero ao vocabulário que escritórios e editais de intercâmbio exigem — com a Profa. Andressa.

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